Pesquisa realizada pelo Registro.br, órgão nacional responsável pelas normas de registro, publicação e manutenção de domínios na internet, mostra que os investimentos de pequenas e médias empresas na criação de sites profissionais para divulgação e comercialização de produtos/serviços têm crescido de maneira significativa. Somente neste ano, as organizações que hospedam as páginas virtuais devem movimentar R$ 360 milhões.
Seja como cartão de visita on-line, com acesso 24 horas sete dias na semana, dependendo do interesse ou necessidade do cliente, ou mesmo como ambiente de business, a ferramenta, quando bem alinhada com o planejamento estratégico da organização, representa um meio a mais para incrementar o negócio e vencer a guerra da concorrência.
Em 2006, o e-commerce registrou crescimento de 76% de faturamento e neste ano, o resultado deve ser 45,5% superior ao acumulado no período anterior, segundo dados do E-bit, empresa de informação de comércio eletrônico. O diretor geral da E-bit, Pedro Guasti, afirma que o cenário para o setor continua muito promissor, principalmente no Brasil, onde a utilização dessa mídia ainda não é tão popular quanto se imagina.
"O país tem algo entre 35 e 40 milhões de usuários da rede e ocupa o oitavo lugar mundial nesse ranking. Deles, 9,5 milhões já compram pela internet, um índice entre 20% e 25%. Nos Estados Unidos, um mercado mais maduro, o uso da web já é disponível para algo entre 79% e 80% da população, sendo que o comércio eletrônico já atinge 69% das pessoas", aponta.
Continuidade - É por isso que, mesmo não mantendo o ritmo de crescimento de 76% ao ano, a expectativa de crescimento para o e-commerce permanece extremamente positiva no Brasil, principalmente quando se considera o índice de expansão da economia nacional, que não deve chegar a 6% em 2007. A TV interativa, que está em processo de lançamento no país, deve contribuir positivamente para o comércio pela internet e há, ainda, a opção do mobile commerce, via telefone celular, que já está sendo implantado.
O desafio das organizações que já investem nessa ferramenta que conjuga divulgação com oportunidade de negócios e também para aquelas que pretendem ingressar nesse terreno virtual é expandir a oferta, que até então esteve concentrada nas classes A e B, também para a classe C. "O aumento da aquisição de produtos de informática neste ano, chegando a 11 milhões de unidades de computadores, volume acima do comércio de televisores, é um forte indicativo a ser considerado", disse Guasti.
Para chegar a um faturamento de R$ 6,4 bilhões, neste ano, a receita considera o comércio de bens de consumo e retira dessa lista as vendas de passagens aéreas e de automóveis, bem como o resultado dos leilões virtuais que se multiplicam no cenário virtual. "Há um novo perfil de consumidor que utiliza a rede para praticamente todas as transações e os clientes tradicionais também estão perdendo o receio de comprar pela internet devido ao aumento da qualidade do serviço oferecido. Por sua vez, os varejistas também estão assimilando o conceito e utilizando-o para a gestão do negócio, encontrando não apenas compradores, mas fornecedores e até mesmo novos empregados por meio de processos de seleção e recrutamento", explica.
Parte interessante da estratégia de utilizar a internet, segundo Guasti, é a possibilidade de fazer ofertas dirigidas para cada perfil de cliente. Fazer uma pesquisa dentro da loja ou mesmo parando consumidores na calçada, não é fácil, pela "rede" é possível realizar um levantamento de dados mais consistente do consumidor e, uma vez conhecendo-o, desenvolver um site que atenda todas às suas expectativas. Fotos, maquetes, manequins e terceira dimensão são apenas alguns dos recursos diferenciais que podem ser usados no projeto de um site.
Como exemplo, em Minas temos a Construtora Habitare, cujas vendas pela internet já correspondem a 25% do total registrado pela empresa. Essa mídia é a terceira em retorno, perdendo para o folder e o anúncio em TV. Segundo o gerente de Marketing, Bruno Cotta, os investimentos no site têm aumentado no último ano, com duas mudanças de layout e ferramentas extras que agilizam a consulta. "Há canais de acesso rápido, links que vão direto para a página de lançamentos e o corretor on-line. As pessoas conferem as informações no site", enumera.
Atenta às exigências do mercado, onde os consumidores não dispõe de tempo livre para intermináveis visitas a imóveis, a Habitare está investindo na permanência do cliente do site, fidelizando-o. A próxima ferramenta a ser implantada será a visita virtual ao imóvel modelo. "As pessoas pedem todas as informações por e-mail e só comparecem na loja para fechar o negócio", detalha. Além da página própria, a construtora ainda usa a internet para divulgar a marca em sites de pesquisa ou outros, ligados ao setor de construção civil.
LUCIANA SAMPAIO
Fonte: Diário do Comércio